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Alex Ribeiro: A cara (e a voz) do pai

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por Ricardo Schott | 23/02/2010
Alex Ribeiro: A cara (e a voz) do pai Imagem: Reprodução

 

A CARA (E A VOZ) DO PAI
Alex Ribeiro, filho do grande sambista Roberto Ribeiro, revive o repertório do pai em apresentações embebidas de nostalgia. Mas prepara disco com novidades
 
Quero recordar o trabalho dele, até porque tem toda uma geração que não o conheceu”, assume Alex Ribeiro, 37 anos, filho de Roberto Ribeiro (1940 – 1996), cultuado intérprete de samba. Afi nado e dono de timbre quase metálico, como o do pai, ele teve o privilégio de ser embalado por “Todo Menino É Um Rei”, grande sucesso de Roberto Ribeiro. “Sempre recebo no camarim gente de 21, 22 anos que fala ‘Pô, meu pai cantava isso para mim’. Não tem como não ficar orgulhoso”, conta Alex, que recentemente recebeu no palco a madrinha musical de seu pai, Elza Soares. “Foi uma choradeira só. A Elza me contou que ajudou muito o Roberto quando eles eram da mesma gravadora [a Odeon, hoje EMI].” A bênção do pai, que dividiu um disco antológico com Elza (Sangue, Suor E Raça, de 1972), se repete agora.
 
A voz de Alex, por enquanto, pode ser escutada apenas nos shows que o cantor vem fazendo na Lapa carioca. Um CD está sendo preparado “de levinho”, com novidades – do repertório deve constar até samba com letra em francês, chamego na irmã que vive na França. Nas apresentações, os sambas levanta-quadra que o pai cantava, como “Vazio” e “Meu Drama (Senhora Tentação)” têm espaço garantido. “Mas vou misturar com músicas menos lembradas. Tem muita coisa dele que não tocou em rádio”, avisa Alex. Uma atração promissora é o dueto com a sambista carioca Luiza Dionisio em “Artifício”, “samba-desilusão” de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, dividido em 1980 por Roberto e Clara Nunes. “Luiza tem extensão vocal como a da Clara”, compara.
 
Lançado nos palcos quando começaram a pipocar tributos lembrando dez anos da morte de seu pai, Alex só deixou a música falar mais alto há pouco tempo. Antes, tinha jogado futebol no Flamengo e trabalhado como comerciante. Chegou logo dividindo palco com Monarco, mas confessa uma associação antiga capaz de irritar talibambas do chamado “samba de raiz”. “Quase fiz parte do Molejo quando começou. É um grupo de filhos de sambistas. Me convidaram, mas não entrei”, conta, garantindo que até hoje é amigo da rapaziada. “Eu ouvia muito rock nacional. Mas lá em casa rolavam pagodes, na época em que a palavra pagode queria dizer apenas reunião de sambistas”, prossegue, lembrando do espírito aglutinador de Roberto. “Uma vez o Gerson King Combo...” Opa, Gerson King Combo, o James Brown brazuca? Como assim? “Pô, ele era amigão do meu pai. Apareceu no estúdio e ficou brincando com todos. Estava meio quebrado e, quando meu pai foi ver o orçamento do disco, queria arrumar um dinheiro para ele. Alguém da gravadora falou: ‘Como assim? O Gerson não fez nada!’. E ele: “Como não? Bota aí no encarte: ‘Gerson King Combo: levantador de astral’. E assim ficou”, revela, rindo. Mas os fãs de Roberto Ribeiro não perdem por esperar. Alex é taxativo: “Eu faço samba e ponto final. Não tem samba lento, não tem samba-canção. É a cultura negra, com jongo, ijexá; tudo faz parte”.
 
 

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